Episódio 7 de Lanternas ganha destaque da crítica e prepara grande final.
O penúltimo episódio da primeira temporada de Lanternas, “The Jordan Boys’ Legacy”, chegou à HBO…
Se o sexto episódio serviu para reorganizar as peças depois de “Lights Out”, “The Jordan Boys’ Legacy” pega essas peças e começa a montar o verdadeiro significado da história de Hal Jordan.
O sétimo episódio é o penúltimo da temporada e, curiosamente, não tenta entregar uma grande batalha antes do confronto final. Em vez disso, Lanterns aposta em algo muito mais importante: entender quem Hal Jordan era antes de se tornar a figura que John conheceu.
E, quando finalmente saímos da Terra, percebemos que o mistério é muito maior do que parecia.
O episódio começa em 1975, apresentando uma versão ainda criança de Hal.
Durante uma partida de beisebol, Hal se recusa a deixar o campo quando o treinador manda substituí-lo. A situação termina com o garoto sendo agredido pelos próprios companheiros de equipe.
É então que Martin Jordan, seu pai, aparece.
Em vez de simplesmente repreender o filho, Martin fica ao lado dele.
A sequência parece simples, mas estabelece uma característica que acompanharia Hal pelo resto da vida: a dificuldade de abandonar uma luta mesmo quando continuar lutando começa a cobrar um preço.
A série usa o beisebol e a relação entre pai e filho como uma espécie de espelho para o próprio comportamento de Hal como Lanterna Verde.
Ele sempre precisa terminar o jogo.
Mesmo quando deveria parar.
Depois do episódio anterior, John consegue utilizar uma pequena quantidade de energia do anel de Hal para ativar novamente o holograma armazenado nele.
E aqui Kyle Chandler ganha uma oportunidade diferente de interpretar Hal. Esse não é exatamente o Hal que conhecemos durante a temporada. O Halogram é uma versão de Hal registrada anos antes e, por isso, ainda possui uma personalidade mais leve, impulsiva e divertida.
É quase como encontrar uma versão antiga de alguém que você conhecia. E isso cria uma dinâmica excelente com John. Os dois continuam discutindo Continuam se provocando. Mas existe uma diferença fundamental: John finalmente começa a enxergar o homem por trás do mito.
Um dos momentos mais emocionais acontece quando o Halogram encontra Kerry. Ela sabe que o homem diante dela não é exatamente Hal. Ele é uma gravação. Uma consciência armazenada. Uma versão de Hal congelada no tempo. Mesmo assim, o encontro carrega todo o peso emocional de uma despedida.
Hal tenta confortá-la sem poder realmente ocupar o lugar do homem que ela perdeu. É uma cena bastante triste justamente porque os dois sabem que aquela conversa nunca deveria estar acontecendo daquela maneira.
E, ao mesmo tempo, ela permite que John descubra algo importante sobre Hal que talvez nunca tivesse percebido enquanto os dois estavam vivos.
É aqui que o episódio começa a ficar mais pesado. As lembranças de Martin Jordan revelam uma história familiar marcada por sofrimento emocional e suicídio.
A série sugere que Hal carregava consigo não apenas o trauma da morte do pai, mas também um padrão familiar que influenciou a maneira como ele lidava com medo, fracasso e vulnerabilidade.
A grande questão passa a ser: Hal morreu pelas mãos de outra pessoa ou tirou a própria vida?
A possibilidade é devastadora. E a série não trata essa possibilidade como uma simples reviravolta policial. Ela está diretamente ligada à pergunta central da temporada: o que realmente significa ser corajoso?
O episódio também coloca John em uma situação extremamente perturbadora. Ao chegar ao planeta alienígena, ele é exposto a uma atmosfera ligada ao medo e começa a sofrer alucinações.
A sequência é uma das mais sombrias da temporada. John perde temporariamente a percepção da realidade e chega a tentar tirar a própria vida antes de cair na água. Halogram consegue retornar e salvá-lo.
É um momento importante porque John sempre foi apresentado como alguém extremamente controlado.
Aqui, a série mostra que até mesmo ele possui limites. E, talvez pela primeira vez, Hal não está apenas ensinando John alguma coisa. Hal salva John.
Depois de sete episódios construindo uma história predominantemente policial na Terra, Lanterns finalmente atravessa a fronteira.
O cofre escondido por Hal revela um portal para outro planeta. E a mudança visual é imediata.
Temos uma paisagem alienígena devastada, estruturas gigantescas, restos de uma civilização e sinais de que aquele mundo está diretamente conectado aos acontecimentos que começaram em Rushville.
É provavelmente o maior momento de expansão do universo da série até agora.
A escolha de deixar essa revelação para o penúltimo episódio é interessante porque Lanternas passou praticamente toda a temporada nos convencendo de que era um thriller policial.
Agora descobrimos que o assassinato de Hal é apenas uma peça de algo muito maior.
O planeta também está relacionado à história dos alienígenas e aos acontecimentos envolvendo os Manhunters. O passado de Hal, a investigação de John e o conflito cósmico começam finalmente a convergir.
O que parecia ser um assassinato isolado em uma pequena cidade passa a estar conectado a uma história envolvendo diferentes mundos. É exatamente o tipo de expansão que a temporada vinha preparando desde os primeiros episódios.
Como se tudo isso não fosse suficiente, o episódio termina apresentando Sinestro.
A presença dele muda completamente o cenário para o episódio final. Até aqui, a pergunta era: quem matou Hal Jordan?
Agora existe uma pergunta ainda maior: o que Sinestro sabe sobre tudo isso? A aparição funciona porque não parece simplesmente uma tentativa de colocar um vilão famoso na história.
Ela surge como consequência natural da investigação. E, principalmente, mostra que o conflito de Lanternas está finalmente entrando no território clássico dos quadrinhos.
Talvez essa seja a maior vitória do episódio. Durante grande parte da temporada, John e Hal eram definidos pelo conflito entre os dois.
Hal era arrogante e John era ressentido. Hal enxergava John como alguém que precisava aprender. John enxergava Hal como alguém que havia perdido o direito de ensinar. Mas o Halogram muda essa dinâmica. Agora eles precisam trabalhar juntos.
E existe algo quase irônico nisso: John só consegue construir a parceria que precisava ter com Hal depois que Hal morreu. É uma das ideias mais interessantes da temporada.
O título do episódio não se refere apenas ao sobrenome Jordan. Ele fala sobre aquilo que pais deixam para os filhos. Traumas, medos, expectativas, valores. E também a capacidade de continuar. Hal herdou muita coisa de Martin. John também carrega sua própria história familiar.
Os dois personagens são diferentes, mas possuem feridas que ajudam a explicar quem se tornaram. Por isso, o episódio não é apenas sobre descobrir quem matou Hal. É sobre descobrir quem Hal realmente era.
“The Jordan Boys’ Legacy” é um episódio mais contemplativo do que explosivo. Quem esperava uma grande batalha antes do finale pode achar o capítulo lento. Mas a construção funciona porque a série finalmente consegue unir suas duas identidades: o drama policial e a ficção científica dos Lanternas Verdes.
A investigação continua. O passado de Hal ganha novas camadas. John enfrenta seus próprios demônios. O universo cósmico finalmente se abre. E Sinestro entra no tabuleiro.
O episódio termina com a sensação de que tudo o que vimos até agora estava levando exatamente para aquele momento. Agora resta apenas uma hora.
E a pergunta já não é somente quem matou Hal Jordan.
É: o que realmente aconteceu com Hal — e qual será o verdadeiro legado dos Jordan?
Melhor elemento: John e Halogram finalmente funcionando como dupla.
Melhor cena: a abertura do portal e a chegada ao planeta alienígena.
Maior revelação: a possível conexão entre a morte de Hal, seu passado familiar e o conflito cósmico.
Momento mais surpreendente: a aparição de Sinestro no final.
Expectativa para o finale: altíssima.
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